terça-feira, 26 de outubro de 2010

Entre tons de laranja e cinza.

A casa era simples, de taipa. Tons terrosos por toda a parte. O lugar parecia longínquo e isolado. O fim do mundo. Um homem sentava no batente da portinha de madeira azul já quase desobotada. Nos olhos escuros, um brilho profundo de quem vivia a vida e de quem era vivido por ela. No rosto, as marcas de uma velhice precoce, marcas das aflições de mil vidas. Aos 33 anos, ele aparentava 47, e já tinha 5 filhos. Dois rapazotes, um já com ares de homem, e duas meninas que se portavam como mulheres responsáveis, embora ainda fossem meninas.

Ele mascava o fumo como já lhe era um hábito desde os 6 anos, e quando olhou para as nuvens soube que a chuva chegaria em uma hora e trinta e um minutos. E um sorriso lhe abriu os lábios rachados, num sorriso de esperança.

Liv.

ps: texto antiguinho que encontrei em meio a um monte de velharia.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Voyer paradise.

A luz vermelha e a música eram... instigantes. Alguém algum dia havia lhe dito: “Pecado é apenas mais um ponto de vista”. Ou talvez tenha lido isso em algum livro desses que vendem em qualquer esquina. Ela se sentava do outro lado do quarto, quando observava os outros se perderem e se tornarem algo... menos humanos. Cruzou as pernas, passou o dedo nos lábios carmim enquanto um sorrisinho irônico demonstrava satisfação. Ela observava, e observava. Suas reações não passavam do sorriso de escárnio, de ironia, de aguda fascinação. Os óculos escuros porém não permitiam que qualquer pessoa visse seus olhos. Estaria ela achando o desejo dos outros algo estúpido? Ou o apreciava como uma obra de arte impressionista?

Liv.